Garagens no subsolo provocam reações

Matéria desta segunda-feira do Correio do Povo:

Uma das garagens subterrâneas seria construída no Largo Glênio Peres Crédito: TARSILA PEREIRA

Visto como alternativa para desafogar o trânsito no Centro de Porto Alegre, os estacionamentos subterrâneos preocupam o arquiteto e urbanista Nestor Nadruz, que coordenou o Fórum de Entidades, o qual debateu a revisão do Plano Diretor da Capital. Ele define o projeto como “um desastre”. “É um incentivo ao uso do carro, quando temos de fazer o contrário, como se faz na Europa”, avalia o profissional. Para Nadruz, os estacionamentos subterrâneos irão contribuir para degradar ainda mais o Centro Histórico. “É mais poluição, mais perigo e mais assaltos. Vão ocupar os espaços verdes com a colocação de automóveis”, observa o arquiteto. Ele ressalta que o projeto vai na contramão de outra proposta aprovada no ano passado, que restringiu o tráfego de caminhões pesados na região central da cidade. Além disso, cita a proximidade com o Guaíba. “Terão de fazer paredões de concreto para conter as águas subterrâneas”, comenta. Coordenador do Fórum de Segurança da Região Centro, João Hélbio Carpes Antunes afirma que não é contra a ideia, mas que é necessário estabelecer critérios. “Quando se projetou o metrô, era justamente para que o pessoal não viesse de carro para o Centro. Há uma dubiedade de ações”, disse. Ele ressalta que é difícil acessar determinados locais da região, como o Mercado Público, de automóvel. “Se colocar um estacionamento vai haver mais sufoco ainda”, prevê. Além disso, observa Antunes, as modificações no trânsito podem prejudicar empreendimentos já existentes. “Já existem bastantes garagens, mas algumas não se consegue acessar.” Um dos locais sugeridos por ele é o Largo Zumbi dos Palmares (em frente à Secretaria Municipal de Turismo), de modo a não prejudicar o fluxo da área central da cidade. “O Centro não pode simplesmente virar um estacionamento para o Cais do Porto. Então, temos de ter uma visão um pouco mais ampla”, afirma ele.

 

Você é contra? Manifeste-se!

Envie uma mensagem com toda sua indignação aos e-mails das autoridades que querem empurrar mais um projeto para destruir o centro histórico da capital. Copie a lista de e-mails abaixo:

fortunati@fortunati.com.br, 156@smgl.prefpoa.com.br, falesmov@smov.prefpoa.com.br, eptc@eptc.prefpoa.com.br, cassio@smov.prefpoa.com.br, vanderleicappellari@eptc.prefpoa.com.br, adelisell@camarapoa.rs.gov.br, ferronato@camarapoa.rs.gov.br, brasinha@camarapoa.rs.gov.br, oliboni@camarapoa.rs.gov.br, bernardino@camarapoa.rs.gov.br, betomoesch@camarapoa.rs.gov.br, todeschini@camarapoa.rs.gov.br, djcassia@camarapoa.rs.gov.br, drraul@camarapoa.rs.gov.br, drthiagoduarte@camarapoa.rs.gov.br, eliasvidal@camarapoa.rs.gov.br, eloiguimaraes@camarapoa.rs.gov.br, comassetto@camarapoa.rs.gov.br, vereadorafernanda@camarapoa.rs.gov.br, haroldo@camarapoa.rs.gov.br, idenircecchim@camarapoa.rs.gov.br, joaodib@camarapoa.rs.gov.br, joaocnedel@camarapoa.rs.gov.br, lucianomarcantonio@camarapoa.rs.gov.br, luizbraz@camarapoa.rs.gov.br, celeste@camarapoa.rs.gov.br, mariofraga@camarapoa.rs.gov.br, mariomanfro@camarapoa.rs.gov.br, mauropinheiro@camarapoa.rs.gov.br, mzacher@camarapoa.rs.gov.br, vereadortessaro@camarapoa.rs.gov.br, nilosantos@camarapoa.rs.gov.br, paulinhorb@camarapoa.rs.gov.br, pedroruas@camarapoa.rs.gov.br, professorgarcia@camarapoa.rs.gov.br, pujol@camarapoa.rs.gov.br, melo@camarapoa.rs.gov.br, sofia@camarapoa.rs.gov.br, tarcisoflechanegra@camarapoa.rs.gov.br, toniproenca@camarapoa.rs.gov.br, waldircanal@camarapoa.rs.gov.br

Sugestão de Mensagem

Caros senhores,

Gostaria de manifestar o meu descontentamento com a idéia da construção de um estacionamento subterrâneo sob o Largo Glênio Peres. A tendência mundial é cada vez mais limitar a circulação de automóveis nas grandes cidades, principalmente em centros históricos, pois compreende-se que quanto mais facilidades se instalam para comportar os carros, mais aumenta o fluxo dos mesmos, piorando ainda mais os congestionamentos e a qualidade de vida para todos que circulam e vivem nestas áreas.

Não vamos, mais uma vez, ir na contra-mão do bom-senso e da humanização das cidades. O centro precisa sim de mais transporte coletivo seguro, limpo e de qualidade, espaços para pedestres qualificados – pois em muitas ruas, como a Mal. Floriano, as pessoas têm que andar pelo meio da rua pois as calçadas são estreitas – e mais infra-estrutura para quem quiser ir ao centro de bicicleta, como ciclofaixas, ciclovias e mais bicicletários, principalmente nas proximidades dos terminais de ônibus e estações de metrô, permitindo assim a intermodalidade.

Isso seria progresso.

Estacionamento subterrâneo não! Humanização do centro sim!

Sinceramente,

Estacionamento subterrâneo não! Humanização do centro sim!

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Cassação do presidente do IBAMA já!

Em entrevista a canal australiano, presidente do IBAMA diz que irá repetir a destruição do povo Xingu como os australianos fizeram com os aborígenes:

Ele tem que sair já!

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Pare Belo Monte!

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Comprar, tirar, comprar

Os produtos que comprarmos não duram tanto quanto deveriam. Por que?

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Polícia criminosa de São Paulo ataca manifestantes

Confira o vídeo da Polícia Militar de São Paulo violando os direitos humanos e a constituição federal ao atacar estudantes que manifestavam contra o aumento da passagem de ônibus, inclusive disparando nos manifestantes à queima-roupa, como mostra o vídeo.

O governo de São Paulo parece que ainda vive na era Médici.

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Mobilização contra a Veja e em defesa dos povos indígenas

Artigo retirado do Centro de Mídia Independente

ABA avalia se irá processar a Veja por ataques baixos contra povos indígenas e antropólogos/as

A recente matéria da revista Veja intitulada “Farra da Antropologia Oportunista” vem despertando reações veementes de condenação da prática de jornalismo descaradamente mentiroso, racista e atrelado ao lobbie dos capitalistas em conflito com povos indígenas. Em nota pública assinada pelo Prof. João Pacheco de Oliveira da UFRJ e coordenador Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, a CAI-ABA demonstra com evidências documentais que o artigo da Veja não é um fato isolado, mas parte de uma prática sistemática de deslegitimação das reivindicações dos povos indígenas que estão em conflito com interesses corporativos e do agronegócio, valendo-se para tanto de mentiras, argumentos superficiais e caluniosos, difamação de lideranças indígenas, do CIMI e de antropólogos, e uso manipulado de frases às vezes fora de contexto e em outras claramente forjadas de profissionais. A Comissão de Assuntos Indígenas revela que o presidente da Associação Brasileira de Antropologia já acionou os seus assessores jurídicos para avaliar a possibilidade de responsabilizar juridicamente os responsáveis.

“Dada a assimetria de recursos existentes, contamos com a mobilização dos antropólogos e de todos que se preocupam com a defesa dos direitos indígenas para, através de sites, listas na Internet, discussões e publicações variadas, vir a contribuir para o esclarecimento da opinião pública, anulando a ação nefasta das matérias mentirosas acima mencionadas. Que não devem ser vistas como episódios isolados, mas como manifestações de um poder abusivo que pretende inviabilizar o cumprimento de direitos constitucionais, abafando as vozes das coletividades subalternizadas e cerceando o livre debate e a reflexão dos cidadãos. No que toca aos indígenas em especial a Veja tem exercitado com inteira impunidade o direito de desinformar a opinião pública, realimentar velhos estigmas e preconceitos, e inculcar argumentos de encomenda que não resistem a qualquer exame ou discussão.”

NOTA DA COMISSÃO DE ASSUNTOS INDÍGENAS DA ABA

MAIS: SBPC repudia reportagem de ‘Veja’ | Comentário de Viveiros de Castro à resposta da Veja | A farra do jornalismo oportunista? | Anti-indigenismo midiático: a arte de cultivar racismo e limpezas étnicas | Abril demite editor que criticou ” Veja” pelo Twiter | Resposta de Marcelo Leite | Resposta do Prof. Mércio Gomes | Resposta de Kelly Oliveira

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Massa Crítica em Porto Alegre

Vai rolar uma Massa Crítica em Porto Alegre na última sexta-feira (dia 29) de janeiro deste ano. É uma boa oportunidade para ciclistas, skatistas,  patinadores e pessoas que utilizam qualquer meio de transporte à propulsão humana tomarem as ruas e mostrarem que também somos parte do trânsito e merecemos espaço e respeito. E como a divulgação do evento diz, é hora “mostrar para o mundo qual é o meio de transporte mais democrático, sustentável e inteligente”.

Resumindo: dia 29/01, às 18h na Praça do Colégio Rosário.

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Quer se informar? Deixe os jornais de lado.

Se alguém ainda lê os  jornais, ou assiste os telejornais das grandes empresas de comunicação  em busca de informação séria e verídica, vou dar mais um motivo para parar (existem vários, este é só um): a cobertura deles é muito unilateral (sem assumir isso) e preguiçosa.

Um bom exemplo recente é o que foi publicado em um grande jornal de Porto Alegre na última segunda-feira pelo seu correspondente de Copenhague:

Existem vários problemas na matéria, em primeiro lugar ela dá um salto lógico no seu raciocínio – dando a entender que se a concentração era ilegal e eles carregavam máscaras contra gás e “projéteis” (que podem ser literalmente qualquer coisa) só podiam ser um bando de arruaceiros querendo extravazar sua raiva. O que nos leva aos segundo problema, fica claro que a única fonte da matéria, além dos olhos desinformados do jornalista, foi a polícia. E é óbvio que para a polícia eram arruaceiros. Para a polícia todos que praticam desobediência civil, como Gandhi, Mandella ou Rosa Parks, são arruaceiros, e não pessoas tentando defender os direitos civis, os pobres do mundo ou o planeta, pois a polícia não consegue enxergar além das leis que jurou obedecer, por mais injustas que elas sejam.

Imagino que o correspondente do jornal não deve ter tido acesso à internet em Copenhague ou talvez não tenha tido tempo (não quero pensar que ele foi preguiçoso) pois era só dar uma buscadinha no Google, ou visitar o site internacional do Centro de Mídia Independente para descobrir o que era o protesto. O grande problema é que a maioria das pessoas toma o que sai nos grandes jornais como verdade e na maioria das vezes essas matérias foram escritas por pessoas mal informadas, com medo ou com preguiça de ir ouvir o outro lado das histórias.

Na verdade o tal protesto não era simplesmente um bando de arruaceiros, mas sim um grupo organizado e com um propósito, bem justo na minha humilde opinião. O grupo se chama Hit the Production (Atingir a Produção) e tem o seguinte slogan (tradução livre): “Nosso sistema econômico é a principal causa das mudanças climáticas. Para parar as mudanças climáticas temos que transformar este sistema falido.”

Leiam a matéria acima, mas também leiam a cobertura do Centro de Mídia Independente, aqui e aqui, e o site do grupo que organizou a ação, aqui e tirem suas próprias conclusões.

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Muito Além do Limite

Que a televisão de uma forma geral é manipuladora, acéfala e visa o lucro acima de tudo, todo mundo sabe.  Mas quando ela passa muito do limite,  quando mata e tortura animais em nome de uma maior audiência é hora de revidar. Portanto repasso o manifesto sobre protesto que vai rolar simultaneamente em diversas cidades do país:

no_limite.jpg“A indignação toma conta das pessoas providas do mínimo de sensibilidade.

A Rede Globo de Televisão, famosa pela manipulação de notícias, nos brinda agora com baixaria criminosa em busca de audiência.
O programa NO LIMITE incita seus participantes a cometerem crimes ambientais, envolvendo a crueldade com animais (como partir peixes vivos ao meio com dentadas, comendo-os ainda vivos; retirar pintos de dentro de ovos, comendo-os em seguida; perseguir e matar galinhas, forjando um falso estado de necessidade) , em troca de dinheiro. Há também a apologia a estes crimes, além de formação de quadrilha para cometê-los. Em contrariedade com a lei, a Globo deseduca as presentes e futuras gerações, quando deveria promover a educação ambiental, por meio de provas inteligentes e éticas.
Tortura e abuso criminoso contra animais indefesos não é a lição que queremos receber em nossas casas. Animais não são coisas, nem propriedade humana a ser abusada de acordo com interesses comerciais de uma emissora de TV.
Em nome desta indignação, os brasileiros que ainda possuem algum senso crítico exigem que as autoridades constituídas tomem as medidas cabíveis para coibir e punir os atos criminosos desta emissora e seus mandatários, que só colaboram para a formação de uma sociedade cada vez mais injusta, desigual e sem qualquer perspectiva ética.
Portanto, estão convocadas manifestações em frente às sedes e sucursais da Rede Globo em diversas cidades brasileiras, exigindo o fim de suas atividades criminosas, além do posicionamento das autoridades legais.

mais informações www.ativismo. com

PROTESTO NACIONAL
Sexta-feira, 28 de agosto de 2009, 16h.


Em São Paulo
Local: Sede da Rede Globo, Av. Dr. Chucri Zaidan, 142, São Paulo – SP.
Concentração: Esquina da Av. Dr. Chucri Zaidan com Av. Morumbi, 15h30.

Em Vitória - Espirito Santo
Endereço: Rua Chafic Murad, 902, Ilha de Monte Belo, Vitória – Espírito Santo
Concentração: Rua Chafic Murad, 902, Ilha de Monte Belo, Vitória – Espírito Santo

No Rio de Janeiro
Endereço: Rua Lópes Quintas, 303- Jardim Botânico
Concentração: Em frente ao Parque Lage- 15h30.

Outras cidades confirmadas:
Porto Alegre (www.gaepoa.org);
Rio Grande (GAE-Rio Grande);
Belo Horizonte (ALA).
Manifestação contra a Rede Globo SEM LIMITES (Programa No Limite) 28/08 – 16h.”

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AlieNação: O Mapa do Desespero

Controle do espaço-tempo, viagens espaciais e exploração espacial.

No mundo moderno, controle é exercido sobre nós automaticamente pelos espaços em que vivemos e nos movimentamos. Nós passamos por certos rituais em nossas vidas – trabalho, “lazer”, consumo, submissão – porque o mundo é projetado só para isso. Todos nós sabemos que shopping centers são para fazer compras, escritórios são para trabalhar, as ironicamente chamadas salas-de-estar são para assistir televisão, e escolas são para obedecer professores. Todos os espaços pelos quais transitamos possuem significados pré-estabelecidos, e tudo que se precisa para nos manter fazendo as mesmas coisas é nos deixar caminhando pelos mesmos caminhos. É difícil achar algo para fazer no Wal-Mart além de olhar e comprar produtos; e, como estamos acostumados a isso, é difícil conceber que realmente poderia haver outra coisa para se fazer lá – sem mencionar que fazer qualquer coisa lá além de comprar é muitas vezes ilegal.
Restam no mundo cada vez menos espaços livres, não desenvolvidos, onde podemos deixar nossos corpos e mentes correr livres. Praticamente todo lugar que você pode ir pertence a alguma pessoa ou grupo que já lhe designou um significado e uma utilidade: propriedade privada, zona comercial, auto-estrada, sala de aula, parque federal. E as nossas próprias rotas previsíveis pelo mundo raramente nos levam perto das zonas livres que ainda restam.
Estes espaços, onde o pensamento e o prazer podem ser livres em todos os sentidos, estão sendo substituídos por ambientes cuidadosamente controlados como a Disneilândia – lugares onde nossos desejos são pré-fabricados e nos vendidos de volta com custos financeiros e emocionais. Dar o nosso próprio significado ao mundo e criar nossas próprias maneiras de nos divertir agir nele são partes fundamentais da vida humana; hoje, por nunca estarmos em lugares que encorajem essa postura, não deveríamos nos surpreender que tantas pessoas se sintam desesperadas e frustradas. Por terem sobrado tão poucos espaços livres no mundo, e por nossa rotina nunca nos levar lá, somos forçados a ir em lugares como a Disneilândia para termos algo parecido com brincadeiras e aventuras. A verdadeira aventura pela qual nossos corações anseiam foi substituída pela falsa aventura, e a sensação de criar pelo torpor de ser um mero espectador.
O nosso tempo está tão ocupado e controlado quanto nosso espaço; de fato, a subdivisão do nosso espaço é uma manifestação do que já aconteceu com o nosso tempo. O mundo inteiro se move e vive de acordo com um sistema padronizado de tempo, projetado para sincronizar nossos movimentos de um lado do planeta com o outro.
Dentro deste sistema, todos nós temos nossas vidas regradas por nossos horários de trabalho e/ou horários de aulas, assim como pelos horários de funcionamento do transporte público e do comércio, etc.  Essa organização das nossas vidas, que começa na infância, exerce um controle sutil mas profundo sobre todos nós: nós chegamos a esquecer que o tempo de nossas vidas é nosso para gastar como escolhermos, ao invés de pensar em termos de dias de trabalho, horas de almoço, e finais-de-semana. Uma vida verdadeiramente espontânea é impensável para a maioria de nós; e o chamado tempo “livre” é normalmente apenas tempo que foi reservado para fazer outra coisa que não trabalhar. Com que freqüência você vê o sol nascer? Quantas vezes você passeia em belas tardes ensolaradas? Se você tivesse a oportunidade inesperada de fazer uma viagem bacana neste fim-de-semana, você poderia ir?
Estes ambientes e horários restritivos limitam drasticamente o vasto potencial de nossas vidas. Eles também nos isolam uns dos outros. Nos nossos trabalhos, passamos uma grande parte do tempo fazendo um determinado tipo de trabalho com um determinado grupo de pessoas em um determinado local (ou pelo menos em um determinado ambiente, o que vale para operários de construção e empregados temporários). Experiências tão limitadas e repetitivas nos dão uma visão muito limitada do mundo, e não nos dá oportunidade de conhecer pessoas diferentes. Nossos lares nos isolam ainda mais: hoje nos mantemos trancafiados em pequenas caixas, em parte por medo daqueles a quem o capitalismo maltratou ainda mais que a nós, e em parte porque nós acreditamos na propaganda paranóica das empresas que vendem sistemas de segurança. Os subúrbios de hoje são cemitérios das comunidades, as pessoas empacotadas em caixas separadas… exatamente como a mercadoria no supermercado, lacrados para “maior frescor”. Com grossas paredes entre nós e nossos vizinhos, nossos amigos e família, espalhados por cidades e nações, é difícil haver qualquer tipo de comunidade, muito menos compartilhar espaço comunitário no qual as pessoas podem se beneficiar mutuamente da criatividade alheia. Tanto o trabalho quanto as nossas casas, nos mantém amarrados a um lugar único, estacionários, incapazes de viajar ao longe no mundo exceto em rápidas férias..······
Até mesmo nossas viagens são restritas e restritivas. Nossos métodos modernos de transporte – carros, ônibus, metrôs, trens, aviões – todos eles nos mantêm presos a trilhas fixas, vendo o mundo passar pela janela, como se fosse um programa de televisão particularmente chato. Cada um de nós vive em um mundo pessoal que consiste principalmente de destinações bem conhecidas (o local de trabalho, o mercadinho, o apartamento de um amigo, a boate) com alguns elos entre elas (sentado no carro, ficar de pé no metro, subir a escada), e poucas chances de encontrar algo inesperado ou de descobrir novos lugares. Um homem pode viajar pelas estradas de dez países sem ver nada além de asfalto e postos de gasolina, se ele ficar no seu carro. Presos a nossas trilhas (trilhos?), não conseguimos visualizar uma viagem ”livre”, viagens de descoberta que nos poriam em contato direto com pessoas e coisas completamente novas a cada esquina.
Ao invés disso, ficamos sentados presos em engarrafamentos, cercados por centenas de pessoas na mesma situação que nós, mas separados deles pelas jaulas de aço de nossos carros – de forma que eles parecem mais com objetos em nosso caminho do que com seres humanos como nós. Nós pensamos que alcançamos mais partes do mundo com nossos tranportes modernos; mas na verdade, quando vemos alguma coisa, vemos menos. Quando nossas capacidades de transporte aumentam, nossas cidades se espalham mais e mais no horizonte. E sempre que as distâncias aumentam, mais carros são necessários; mais carros precisam de mais espaço e então as distâncias aumentam de novo… e de novo. Neste ritmo, auto-estradas e postos de gasolina irão um dia substituir tudo pelo qual valia a pena viajar… isso quer dizer, tudo que ainda não virou um parque temático ou uma atração turística.
Alguns de nós vêem a internet como a “fronteira final”, como um espaço livre, ainda não desenvolvido pronto para ser explorado. O ciberespaço pode oferecer ou não algum grau de liberdade para aqueles que conseguem pagar o acesso para usá-lo e explorá-lo; mas o que quer que ele ofereça, ele oferece sob a condição de deixarmos nossos corpos na chapelaria: amputação voluntária. Lembre-se, você é um corpo tanto quanto é uma mente: ficar sentando, parado, olhando luzes que brilham durante horas, sem usar os sentidos do toque, paladar e olfato, é liberdade? Você esqueceu a sensação de pisar descalço na grama úmida ou na areia quente, do cheiro dos eucaliptos ou de lenha queimando em suas narinas? Você se lembra do cheiro dos talos de tomate? A tremulação da chama de uma vela, a emoção de correr, nadar, tocar?
Hoje podemos recorrer à internet quando queremos emoções sem nos sentirmos enganados, pois nossa vida moderna já é tão limitada e previsível que esquecemos como a ação e movimento no mundo de real podem fazer a gente se sentir bem. Por que se acomodar com a liberdade limitada que o ciberespaço pode dar, quando existem muito mais experiências e sensações para sentir aqui no mundo real? Nós devíamos estar correndo, dançando, remando uma canoa, bebendo a essência da vida, explorando novos mundos – ”quais” novos mundos? Temos que redescobrir nossos corpos, nossos sentidos, o espaço à nossa volta, e então podemos transformar este espaço em um novo mundo ao qual podemos dar nossos próprios significados.
Para conseguir isso, precisamos inventar novos jogos – que possam ser jogados nos espaços já conquistados deste mundo, nos shopping centers, restaurantes e salas de aula, que vão destruir seus significados prescritos para que possamos lhes dar novos significados de acordo com nossos sonhos e desejos. Precisamos de jogos que nos unam, nos tirem da confinação e isolamento de nossas casas particulares, e nos tragam aos espaços públicos onde podemos nos beneficiar da companhia e criatividades dos outros. Assim como desastres naturais e blecautes podem unir as pessoas e trazer-lhes emoção (afinal, todo mundo quer um pouco de variedade emocionante em um mundo outrora terrivelmente previsível), nossos jogos vão nos unir para fazermos coisas novas e emocionantes. Devemos pintar poesia nas paredes das zonas comerciais, fazer shows nas ruas, sexo em praças e em sala de aula, piqueniques de graça nos supermercados, festivais espontâneos nas auto-estradas…
Também precisamos inventar novas definições de tempos e novos modos de viajar. Tente viver sem um relógio, sem sincronizar o seu tempo ao tempo muito ocupado do resto do mundo. Tente fazer uma longa viagem a pé ou de bicicleta, de forma que você encontrará em primeira mão tudo pelo que você passar até chegar ao seu destino, sem vidros no meio. Tente explorar a sua própria vizinhança, olhando nos telhados e dobrando as esquinas que você nunca notou antes – você se surpreenderá com quanta aventura existe lá, esperando por você!

Texto retirado e traduzido de Days of War, Nights of Love.

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