Prefeitura caga pra lei em Porto Alegre

Prefeitura caga pra lei em Porto Alegre.

Diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (1ª edição. Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 561):

cagar – v. (…) 7. t.i. fig. B. Não dar importância a; desprezar.”

Sem fazer alarde (ou melhor: quase que secretamente), a Prefeitura de Porto Alegre pretende iniciar na próxima terça-feira (20/3) a construção da trincheira (viaduto) no cruzamento da Rua Anita Garibaldi com a Av. Carlos Gomes. Independentemente dos questionamentos referentes a degradação urbana, corte de 60 árvores, estímulo transporte individual motorizado em detrimento do transporte público e deslocamentos a pé, há outra questão de ordem jurídica envolvida no tema.

O Plano Diretor Cicloviário Integrado de Porto Alegre (PDCI – Lei Complementar N° 626/2009) é claro:

Art. 19 – Todos os projetos de construção ou expansão das vias públicas integrantes da Rede Cicloviária Estrutural deverão incluir a implantação do sistema cicloviário previsto, com toda a sinalização horizontal, vertical e semafórica necessária.

§ 1º – Nos casos em que a implantação da via implicar construção de pontes, viadutos ou abertura de túneis, tais obras também deverão ser dotadas de sistemas cicloviários integrados ao projeto.

Mais adiante, a Lei fala sobre a Rede Cicloviária Estrutural, que prevê 495km de vias cicláveis na cidade.

Art. 26 – Constitui a Rede Cicloviária Estrutural o conjunto de vias representadas na figura 2 do anexo 1 e descritas no anexo 2, as quais deverão receber infraestrutura para o tráfego de ciclistas.

No Anexo 2 da Lei, a Rua Anita Garibaldi, em toda a sua extensão, consta como via integrante da Rede Cicloviária Estrutural. Questionamos a EPTC a respeito da implantação da estrutura cicloviária e não recebemos nenhuma resposta até o momento. Na reunião a respeito do PDCI, realizada na Câmara de Vereadores, no dia 1º/3, questionamos o presidente da EPTC, Vanderlei Capellari, a respeito do assunto. Sua resposta foi uma negativa e lacônica balançada de cabeça. Mas quem conseguiu ter acesso ao projeto garante: não há previsão de ciclovia ali. (Esta não é a primeira vez que a Lei do Plano Diretor Cicloviário é desprezada em Porto Alegre, como pode ser visto aqui e aqui.)

Essa é mais uma prova do desleixo com que a Prefeitura vem tratando a mobilidade em bicicleta na cidade (e também do desprezo à Lei). Na Ipiranga, uma ciclovia enjambrada, entre o esgoto a céu aberto e a via de alta velocidade. Na Diário de Notícias, uma via que liga o nada a lugar nenhum, com calçamento trepidante e sem calçada, estimulando pedestres a andar na ciclovia e ciclistas na via dos carros (que é perfeita como um tapete). A EPTC já arrecadou mais de R$ 60 milhões desde 2009 com o fim específico de aplicar na mobilidade em bicicleta e não gastou nenhum centavo até hoje.

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Garagens no subsolo provocam reações

Matéria desta segunda-feira do Correio do Povo:

Uma das garagens subterrâneas seria construída no Largo Glênio Peres Crédito: TARSILA PEREIRA

Visto como alternativa para desafogar o trânsito no Centro de Porto Alegre, os estacionamentos subterrâneos preocupam o arquiteto e urbanista Nestor Nadruz, que coordenou o Fórum de Entidades, o qual debateu a revisão do Plano Diretor da Capital. Ele define o projeto como “um desastre”. “É um incentivo ao uso do carro, quando temos de fazer o contrário, como se faz na Europa”, avalia o profissional. Para Nadruz, os estacionamentos subterrâneos irão contribuir para degradar ainda mais o Centro Histórico. “É mais poluição, mais perigo e mais assaltos. Vão ocupar os espaços verdes com a colocação de automóveis”, observa o arquiteto. Ele ressalta que o projeto vai na contramão de outra proposta aprovada no ano passado, que restringiu o tráfego de caminhões pesados na região central da cidade. Além disso, cita a proximidade com o Guaíba. “Terão de fazer paredões de concreto para conter as águas subterrâneas”, comenta. Coordenador do Fórum de Segurança da Região Centro, João Hélbio Carpes Antunes afirma que não é contra a ideia, mas que é necessário estabelecer critérios. “Quando se projetou o metrô, era justamente para que o pessoal não viesse de carro para o Centro. Há uma dubiedade de ações”, disse. Ele ressalta que é difícil acessar determinados locais da região, como o Mercado Público, de automóvel. “Se colocar um estacionamento vai haver mais sufoco ainda”, prevê. Além disso, observa Antunes, as modificações no trânsito podem prejudicar empreendimentos já existentes. “Já existem bastantes garagens, mas algumas não se consegue acessar.” Um dos locais sugeridos por ele é o Largo Zumbi dos Palmares (em frente à Secretaria Municipal de Turismo), de modo a não prejudicar o fluxo da área central da cidade. “O Centro não pode simplesmente virar um estacionamento para o Cais do Porto. Então, temos de ter uma visão um pouco mais ampla”, afirma ele.

 

Você é contra? Manifeste-se!

Envie uma mensagem com toda sua indignação aos e-mails das autoridades que querem empurrar mais um projeto para destruir o centro histórico da capital. Copie a lista de e-mails abaixo:

fortunati@fortunati.com.br, 156@smgl.prefpoa.com.br, falesmov@smov.prefpoa.com.br, eptc@eptc.prefpoa.com.br, cassio@smov.prefpoa.com.br, vanderleicappellari@eptc.prefpoa.com.br, adelisell@camarapoa.rs.gov.br, ferronato@camarapoa.rs.gov.br, brasinha@camarapoa.rs.gov.br, oliboni@camarapoa.rs.gov.br, bernardino@camarapoa.rs.gov.br, betomoesch@camarapoa.rs.gov.br, todeschini@camarapoa.rs.gov.br, djcassia@camarapoa.rs.gov.br, drraul@camarapoa.rs.gov.br, drthiagoduarte@camarapoa.rs.gov.br, eliasvidal@camarapoa.rs.gov.br, eloiguimaraes@camarapoa.rs.gov.br, comassetto@camarapoa.rs.gov.br, vereadorafernanda@camarapoa.rs.gov.br, haroldo@camarapoa.rs.gov.br, idenircecchim@camarapoa.rs.gov.br, joaodib@camarapoa.rs.gov.br, joaocnedel@camarapoa.rs.gov.br, lucianomarcantonio@camarapoa.rs.gov.br, luizbraz@camarapoa.rs.gov.br, celeste@camarapoa.rs.gov.br, mariofraga@camarapoa.rs.gov.br, mariomanfro@camarapoa.rs.gov.br, mauropinheiro@camarapoa.rs.gov.br, mzacher@camarapoa.rs.gov.br, vereadortessaro@camarapoa.rs.gov.br, nilosantos@camarapoa.rs.gov.br, paulinhorb@camarapoa.rs.gov.br, pedroruas@camarapoa.rs.gov.br, professorgarcia@camarapoa.rs.gov.br, pujol@camarapoa.rs.gov.br, melo@camarapoa.rs.gov.br, sofia@camarapoa.rs.gov.br, tarcisoflechanegra@camarapoa.rs.gov.br, toniproenca@camarapoa.rs.gov.br, waldircanal@camarapoa.rs.gov.br

Sugestão de Mensagem

Caros senhores,

Gostaria de manifestar o meu descontentamento com a idéia da construção de um estacionamento subterrâneo sob o Largo Glênio Peres. A tendência mundial é cada vez mais limitar a circulação de automóveis nas grandes cidades, principalmente em centros históricos, pois compreende-se que quanto mais facilidades se instalam para comportar os carros, mais aumenta o fluxo dos mesmos, piorando ainda mais os congestionamentos e a qualidade de vida para todos que circulam e vivem nestas áreas.

Não vamos, mais uma vez, ir na contra-mão do bom-senso e da humanização das cidades. O centro precisa sim de mais transporte coletivo seguro, limpo e de qualidade, espaços para pedestres qualificados – pois em muitas ruas, como a Mal. Floriano, as pessoas têm que andar pelo meio da rua pois as calçadas são estreitas – e mais infra-estrutura para quem quiser ir ao centro de bicicleta, como ciclofaixas, ciclovias e mais bicicletários, principalmente nas proximidades dos terminais de ônibus e estações de metrô, permitindo assim a intermodalidade.

Isso seria progresso.

Estacionamento subterrâneo não! Humanização do centro sim!

Sinceramente,

Estacionamento subterrâneo não! Humanização do centro sim!

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Cassação do presidente do IBAMA já!

Em entrevista a canal australiano, presidente do IBAMA diz que irá repetir a destruição do povo Xingu como os australianos fizeram com os aborígenes:

Ele tem que sair já!

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Pare Belo Monte!

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Comprar, tirar, comprar

Os produtos que comprarmos não duram tanto quanto deveriam. Por que?

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Polícia criminosa de São Paulo ataca manifestantes

Confira o vídeo da Polícia Militar de São Paulo violando os direitos humanos e a constituição federal ao atacar estudantes que manifestavam contra o aumento da passagem de ônibus, inclusive disparando nos manifestantes à queima-roupa, como mostra o vídeo.

O governo de São Paulo parece que ainda vive na era Médici.

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Mobilização contra a Veja e em defesa dos povos indígenas

Artigo retirado do Centro de Mídia Independente

ABA avalia se irá processar a Veja por ataques baixos contra povos indígenas e antropólogos/as

A recente matéria da revista Veja intitulada “Farra da Antropologia Oportunista” vem despertando reações veementes de condenação da prática de jornalismo descaradamente mentiroso, racista e atrelado ao lobbie dos capitalistas em conflito com povos indígenas. Em nota pública assinada pelo Prof. João Pacheco de Oliveira da UFRJ e coordenador Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, a CAI-ABA demonstra com evidências documentais que o artigo da Veja não é um fato isolado, mas parte de uma prática sistemática de deslegitimação das reivindicações dos povos indígenas que estão em conflito com interesses corporativos e do agronegócio, valendo-se para tanto de mentiras, argumentos superficiais e caluniosos, difamação de lideranças indígenas, do CIMI e de antropólogos, e uso manipulado de frases às vezes fora de contexto e em outras claramente forjadas de profissionais. A Comissão de Assuntos Indígenas revela que o presidente da Associação Brasileira de Antropologia já acionou os seus assessores jurídicos para avaliar a possibilidade de responsabilizar juridicamente os responsáveis.

“Dada a assimetria de recursos existentes, contamos com a mobilização dos antropólogos e de todos que se preocupam com a defesa dos direitos indígenas para, através de sites, listas na Internet, discussões e publicações variadas, vir a contribuir para o esclarecimento da opinião pública, anulando a ação nefasta das matérias mentirosas acima mencionadas. Que não devem ser vistas como episódios isolados, mas como manifestações de um poder abusivo que pretende inviabilizar o cumprimento de direitos constitucionais, abafando as vozes das coletividades subalternizadas e cerceando o livre debate e a reflexão dos cidadãos. No que toca aos indígenas em especial a Veja tem exercitado com inteira impunidade o direito de desinformar a opinião pública, realimentar velhos estigmas e preconceitos, e inculcar argumentos de encomenda que não resistem a qualquer exame ou discussão.”

NOTA DA COMISSÃO DE ASSUNTOS INDÍGENAS DA ABA

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