Sobre testes em animais.

A única finalidade para a realização de testes de laboratório em animais que poderia ser justificável seria a de elaborar remédios que salvariam mais vidas e evitariam mais sofrimento do que o submetido às cobaias – isso se aceitássemos que os fins justificam os meios*. Mas nem mesmo esse objetivo com os testes em animais é moralmente sustentável. Muito mais vidas seriam salvas e sofrimento evitado se investíssemos na prevenção de doenças e não na cura: a espécie humana se alimenta de produtos industrializados que intoxicam o corpo, polui o ar que respira, joga seu esterco e seu lixo na água que vai beber mais tarde, deforma e incapacita o seu corpo com uma vida sedentária. Se o ser humano não faz o mínimo de prevenção para garantir a sua própria saúde por que animais de outras espécies teriam de ser torturados e sacrificados em nome dela?

 
* – os fins não podem justificar os meios pois muitas vezes jamais chegamos ao fim e quando chegamos vimos que não era aquilo que queríamos. O importante na nossa vida é o agora, o momento presente, a jornada – passado e futuro são ilusões.

Programa dá selo de “sustentabilidade” a restaurante que serve espécie ameaçada.

Captura de tela de 2013-08-07 09:15:59O Programa Ecogourmet deu quatro estrelas ao Restaurante Marcos de Gramado – restaurante especializado em frutos-do-mar  que oferece bacalhau-do-atlântico no seu cardápio, uma espécie de peixe ameaçada de extinção. A nota mais alta que o estabelecimento recebeu foi no quesito “comida sustentável”, onde conseguiu 71 pontos – o máximo é 75.

A população do bacalhau-do-atlântico (Gadus morhua) – valorizado na culinária por ser considerado “o legítimo bacalhau” entrou em colapso nos anos 1990 devido à pesca intensiva – quando foi registrado um declínio de 95% em relação a registros anteriores – e desde então não se recuperou.  A espécie é listada como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A situação delicada do bacalhau é completamente ignorada no Brasil, onde restaurantes de frutos-do-mar fazem questão em servir o peixe e onde até mesmo a Rede Globo faz periodicamente apologia ao seu consumo, nas datas festivas.

 


Ocupa árvores: Manifestantes foram presos sem ter cometido crime, diz policial.

Em um vídeo gravado sem que ele estivesse sabendo, um policial da Brigada Militar admitiu que os manifestantes do Ocupa Árvores – que protestavam contra o corte de mais de cem árvores na região do Parque do Gasômetro no centro de Porto Alegre – não cometeram crime algum.


Valter Nagelstein considera comparação com manifestantes uma ofensa.

“Ouvi o presidente da Câmara dizer que os Vereadores e funcionários estão com medo dos manifestantes. Alguns vereadores até entendo que estejam com medo. Como funcionária da CMPA posso afirmar que  ele não falou por mim. Só não estou trabalhando por determinação dele. E posso afirmar que a organização dos manifestantes nas dependências da Câmara é bem melhor que a das Excelências.”

Foi este o relato da servidora Laís Ibarra nas redes sociais que irritou o vereador Valter Nagelstein (PMDB). Segundo Nagelstein a servidora “atacou o poder” e “ofendeu os vereadores” ao dizer que o medo que alguns legisladores têm dos manifestantes é justificado e comparar os vereadores com os manifestantes. Por que Nagelstein considera a comparação com os ativistas uma ofensa? Será que considera de alguma forma superior?

562674_179969008845242_312163224_nLaís Ibarra não cometeu nenhuma ofensa, não atacou ninguém. Ao invés de dialogar e tentar entender a posição de Laís – por que ela prefere a organização dos manifestantes, afinal? Por que ela acredita que o medo que alguns vereadores têm dos manifestantes é justificado? – Nagelstein já quer que ela seja punida, responsabilizada, simplesmente por ter manifestado sua opinião, sua preferência. O que ela fez foi errado? Não temos ou deveríamos ter todos o direito à liberdade de expressão, de emitir nossas opiniões? Não deveriam os vereadores, como seres políticos, serem abertos ao diálogo e às diferenças de posição política?

Existem duas palavras que definem bem a posição de Nagelstein: autoritarismo e intolerância.


Band manipula informações para criminalizar movimento social.

Em reportagem mentirosa e caluniosa veiculada no programa Brasil Urgente na última segunda-feira, dia 15 de julho, a TV Band manipulou informações para tentar desmoralizar e criminalizar manifestantes e deslegitimizar um movimento social aos olhos da sua audiência.

Confira a reportagem da Band clicando aqui.

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O Diagrama de Graham lista o argumentum ad hominem como a segunda forma mais baixa de argumentação, estando acima apenas dos xingamentos.

A tentativa de manipulação da opinião pública começa de forma sutil já nos primeiros 35 segundos, quando a repórter comenta que a mãe de uma manifestante foi buscá-la de carro na frente da Câmara de Vereadores, como se jovens que ainda dependem dos pais não tivessem o direito de protestar,  ou como se quem anda de carro não tivesse o direito de protestar por um melhor transporte público. Pelo contrário, o fato de alguém que protestar por algo que visa o bem comum – como o transporte público de qualidade – e não beneficia a essa pessoa em particular, só mostra que ela não está lá para defender apenas os seus interesses, mas sim pelo bem maior. Esse tipo de estratégia, de desqualificar os manifestantes e não as suas reivindicações é um artifício muito comum, conhecido como argumentum ad hominemou seja, um argumento que ataca a pessoa e não as idéias desta pessoa.

Aos 50 segundos, a repórter emite primeira mentira descarada: “Funcionários que chegavam para trabalhar eram barrados” para em seguida ser desmentida pelas imagens da própria reportagem que mostram um manifestante que se aproxima da janela de um carro que tenta entrar na Câmara e informa: “É feriado hoje, tá? Não precisa entrar, se quiser pode entrar.” Ou seja, os manifestantes não estavam barrando os servidores da Câmara, mas informando-os que os vereadores haviam determinado numa reunião em um restaurante que não haveria expediente na segunda-feira, dia 15/07.

A 1 minuto e 20 segundos uma breve deturpação dos fatos. A repórter afirma que a imprensa está impedida de entrar na Câmara de Vereadores, o que não é de fato verdade, visto que jornalistas independentes têm livre acesso às dependências da Câmara. Até onde sei, os únicos jornalistas que sofreram restrições foram os que trabalham para grandes conglomerados, como Globo e Bandeirantes e, acredito que até aqui, a Band já mostrou muito bem que essa limitação de acesso é justificada, pois não possuem a intenção de informar, mas sim de manipular a opinião pública. E ainda vai piorar…

Aos dois minutos e 15 segundos  a desinformação atinge níveis absurdos. A repórter afirma que “uma representante do Bloco de Lutas Pelo Transporte Coletivo” foi até a imprensa informar sobre a posição dos manifestantes sobre o pedido de reintegração de posse. A reportagem afirma que a jovem estava “visivelmente sob o efeito de drogas” e que falou palavras sem sentido. Na verdade, o que a moça estava fazendo não era uma declaração à imprensa em nome do Bloco, senão uma apresentação teatral, uma performance artística para debochar da cobertura da grande mídia e da opinião de comentaristas como Lasier Martins, da RBS, que tentam criminalizar os manifestantes rotulando-os de “anarquistas mascarados”. A jovem atriz apresentou-se como representante dos Mascaristas Anarcados e o trecho que foi ao ar na Band era um trecho da música que a jovem apresentou, debochando de Lasier Martins. Confira abaixo o vídeo com a performance da artista na íntegra:

Ao término da reportagem, entra o apresentador do Brasil Urgente, Paulo Bogado, questionando: “Como é que o Brasil pode ser sério? Como é que você vai cobrar de alguém com seriedade, vai cobrar passe livre, vai cobrar alguma coisa com esse tipo de gente aí?” Na verdade, a pergunta que fica é: como é que o Brasil pode ser sério com esse tipo de imprensa agindo impunemente? O Bloco de Lutas deveria entrar com uma ação contra a TV Band por difamação e calúnia. Se a presidente Dilma Russef realmente tivesse interesse em defender a democracia e não os interesses de empresas de comunicação e empresários ela exigiria a imediata cassação da concessão desta emissora, por mentir e manipular a população brasileira.


Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre admite não representar a população.

O vereador Thiago Duarte (PDT), da base aliada do prefeito José Fortunati, afirmou nesta segunda-feira que “nós não representamos vocês” a jovens que exigiam a reabertura das negociações com o grupo de manifestantes que ocupa a Câmara Municipal desde o dia 10 de julho. Os manifestantes tentavam entregar uma carta ao sr. Duarte que disse não negociar, recusando-se a recebê-la.

Felizmente a Justiça mostrou mais bom senso através da juíza Cristina Luisa Marquesan da Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, que suspendeu o imediato cumprimento da liminar de reintegração de posse da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que havia sido concedida no final de semana pelo juiz plantonista Honório Gonçalves da Silva Neto. Segundo a juíza e os oficiais de justiça a ocupação é pacífica e ordeira e não há depredação do patrimônio. Seriam mais de 400 pessoas ocupando a Câmara, incluindo crianças e não há a necessidade de uma remoção forçada. A  juíza marcou uma reunião de conciliação para esta quarta-feira.


A medíocre manipulação da RB$

Fonte: Amigos da Terra Brasil

CUIDADO. As imagens a seguir são fortes.

Imagem| Foto: Elson Sempé Pedroso

Hoje à tarde, durante uma reunião do Bloco de Lutas Pelo Transporte Público, houve um boato de que uma jornalista da RBS estaria dentro do prédio da Câmara dos Vereadores para obter imagens da ocupação. Há dias estava consensuado em Assembléia do Bloco que não seria autorizado que a RBS fizesse imagens da ocupação ou dos respectivos integrantes do Bloco. Por essa mesma razão, uma equipe da RBS fora impedida de entrar na ocupação anteriormente.

Para não sermos atropelados pelo senso comum mafiomidiático, lembramos que o direito de imagem é assegurado pelo Código Civil, em seu capítulo II, Artigo 20:

Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”.

Enfim, vários manifestantes descontentes com a suposta presença do monopólio sul-riograndense foram em direção ao local em que estaria a jornalista e nesse momento depararam-se com o presidente da Câmara, Thiago Duarte. Iniciou-se aí um bate-boca entre os manifestantes e o presidente da Câmara que supostamente teria sido o responsável pela entrada da jornalista. Apesar da confusão, em nenhum momento houve agressão física, como comprovam um vídeo feito pelos integrantes do Bloco, bem como pelas próprias fotos tiradas pelo fotógrafo da Câmara dos Vereadores, Elson Sempé Pedroso, o qual também disse à Zero Hora ter sido agredido.

Uma questão juvenil paira no ar: se foram agredidos, por que a melhor imagem escolhida pelo fotógrafo mostra apenas o presidente da Câmara em frente a dois manifestantes? Não seria mais interessante que a foto mostrasse o exato momento em que os 15 manifestantes violentíssimos agrediam a ambos com empurrões e chutes?

Algo que talvez não tenha ficado muito claro é o motivo pelo qual o Bloco optou por restringir a entrada da RB$, já que meios alternativos e, inclusive a TVE ,têm acesso ao local da ocupação. A acertada posição adotada pelo Bloco deriva do papel histórico que a RB$ desempenha em suas coberturas levianas e mentirosas acerca dos movimentos sociais.

Mais uma vez, essa tradição da Zero Hora quase gerou uma situação que colocaria em risco a vida de centenas de manifestantes, uma vez que a conivência da RBS com o poder político instituído fez com que ela divulgasse uma notícia “jornalística” mentirosa intitulada: “Manifestantes agridem presidente da Câmara de Porto Alegre e um fotógrafo”. Essa matéria além de não ouvir os manifestantes, fazia uma afirmação leviana sobre um fato que nenhum “jornalista” da RB$ havia acompanhado.

Em função desse factóide, o pedido de reitegração de posse, com o auxílio do BOE, esteve muito próximo de ocorrer com o plenário repleto de manifestantes, inclusive crianças.

Por volta das 19:30 ainda de ontem, publicamos em nosso Facebook a notícia “jornalística” feita pela RB$ que havia desencadeado toda a verdadeira confusão. Qual não foi nossa surpresa ao sermos avisados, hoje pela madrugada, que a matéria tinha sido alterada! Do título mentiroso citado anteriormente, a RB$ o modificou para “Presidente da Câmara de Porto Alegre e fotógrafo dizem ter sido agredidos por manifestantes”. O mais hilário disso tudo é que eles acrescentaram à matéria a fala de um advogado do movimento, o qual não havia sido procurado na primeira publicação da notícia na tarde de ontem. Mais lamentável ainda é que, apesar de todas essas alterações, nem sequer modificaram o horário da publicação da notícia, o qual foi mantido em “17h34”.

Vejam isso: dois links diferentes direcionam para um mesmo lugar: a mentira!

Manifestantes agridem presidente da Câmara de Porto Alegre e um fotógrafo”

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/07/manifestantes-agridem-presidente-da-camara-de-porto-alegre-e-um-fotografo-4198570.html

“Presidente da Câmara de Porto Alegre e fotógrafo dizem ter sido agredidos por manifestantes”

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/07/presidente-da-camara-de-porto-alegre-e-fotografo-dizem-ter-sido-agredidos-por-manifestantes-4198570.html

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