Valter Nagelstein considera comparação com manifestantes uma ofensa.

“Ouvi o presidente da Câmara dizer que os Vereadores e funcionários estão com medo dos manifestantes. Alguns vereadores até entendo que estejam com medo. Como funcionária da CMPA posso afirmar que  ele não falou por mim. Só não estou trabalhando por determinação dele. E posso afirmar que a organização dos manifestantes nas dependências da Câmara é bem melhor que a das Excelências.”

Foi este o relato da servidora Laís Ibarra nas redes sociais que irritou o vereador Valter Nagelstein (PMDB). Segundo Nagelstein a servidora “atacou o poder” e “ofendeu os vereadores” ao dizer que o medo que alguns legisladores têm dos manifestantes é justificado e comparar os vereadores com os manifestantes. Por que Nagelstein considera a comparação com os ativistas uma ofensa? Será que considera de alguma forma superior?

562674_179969008845242_312163224_nLaís Ibarra não cometeu nenhuma ofensa, não atacou ninguém. Ao invés de dialogar e tentar entender a posição de Laís – por que ela prefere a organização dos manifestantes, afinal? Por que ela acredita que o medo que alguns vereadores têm dos manifestantes é justificado? – Nagelstein já quer que ela seja punida, responsabilizada, simplesmente por ter manifestado sua opinião, sua preferência. O que ela fez foi errado? Não temos ou deveríamos ter todos o direito à liberdade de expressão, de emitir nossas opiniões? Não deveriam os vereadores, como seres políticos, serem abertos ao diálogo e às diferenças de posição política?

Existem duas palavras que definem bem a posição de Nagelstein: autoritarismo e intolerância.


Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre admite não representar a população.

O vereador Thiago Duarte (PDT), da base aliada do prefeito José Fortunati, afirmou nesta segunda-feira que “nós não representamos vocês” a jovens que exigiam a reabertura das negociações com o grupo de manifestantes que ocupa a Câmara Municipal desde o dia 10 de julho. Os manifestantes tentavam entregar uma carta ao sr. Duarte que disse não negociar, recusando-se a recebê-la.

Felizmente a Justiça mostrou mais bom senso através da juíza Cristina Luisa Marquesan da Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, que suspendeu o imediato cumprimento da liminar de reintegração de posse da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que havia sido concedida no final de semana pelo juiz plantonista Honório Gonçalves da Silva Neto. Segundo a juíza e os oficiais de justiça a ocupação é pacífica e ordeira e não há depredação do patrimônio. Seriam mais de 400 pessoas ocupando a Câmara, incluindo crianças e não há a necessidade de uma remoção forçada. A  juíza marcou uma reunião de conciliação para esta quarta-feira.