Agências de publicidade de Porto Alegre violam direitos trabalhistas

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Funcionários das maiores agências de publicidade do Rio Grande do Sul não possuem carteira assinada. Pode parecer grotesco mas isso se aplica trabalhadores de empresas como DCS, Dez Propaganda, Competence e quase todas outras do estado. Em alguns dias, os publicitários chegam a trabalhar mais de 20 horas sem ganhar horas extras ou qualquer tipo de compensação. Também são convocados para trabalhar em feriados e fins-de-semana sem receber a mais por isso. Além de tudo isso, por não possuírem Carteira de Trabalho assinada por seus patrões, eles ficam sem vínculo empregatício, podendo assim serem demitidos a qualquer momento sem aviso prévio e sem benefícios como o FGTS.

Tanto a agência de publicidade quanto seus clientes se beneficiam da situação. A agência por possuir funcionários que de acordo com a demanda podem trabalhar mais, sem causar mais despesas, e também por aumentar sua margem de lucro, já que não tem que pagar benefícios aos seus empregados. Os clientes, por sua vez, conseguem campanhas publicitárias mais em conta. Dá para dizer que esses clientes, que incluem empresas como Batavo, Azaléia, Fiat, Volkswagen, Diadora, Tramontina, Olympikus e até o governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal(!), são cúmplices dessa exploração ilegal. Será que eles não sabem dessas práticas excusas ou preferem não enxergar por também se beneficiarem delas? O mais provável é que eles não queiram enxergar pois já foram feitas até denúncias para a Delegacia do Trabalho, que nada fez.

A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) foi criada em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. É hora de alguém avisar os publicitários dessa novidade.

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28 Comentários on “Agências de publicidade de Porto Alegre violam direitos trabalhistas”

  1. Pedro disse:

    Acontece o mesmo com pedreiros e faxineiras, é algo comum em profissões que não necessitam de diploma. Uma lástima.

  2. Marcelo disse:

    Com pedreiros e faxineiras é mais difícil controlar porque geralmente são trabalhos temporários e/ou eventuais. Fica mais difícil de fiscalizar e apontar onde é que essas práticas ocorrem.

    No caso de uma empresa fazer isso com todos os seus empregados fica mais fácil. Mas uma das coisas que mais me assusta é que grande parte dos publicitários possui curso superior, ou no mínimo segundo grau completo. E por questões puramente individualistas, são incapazes de se organizar e exigir seus direitos.

    Dá até pra pensar que eles merecem a forma como são tratados…

  3. Marcos Ludwig disse:

    Te liga: eles querem ser tratados assim, como Pessoa Jurídica. É evidente que, se os publicitários estivessem de acordo com a CLT, eles receberiam menos.

  4. Marcelo disse:

    Talvez o salário fosse menor, mas com o número de horas extra que eles fazem, com certeza eles ganhariam mais, sem contar que a qualidade de vida deles ia melhorar bastante.

    Mas eu sei que tem gente que prefere ganhar uns trocados a mais, mesmo que no geral saia perdendo, mas isso tem outro nome…

  5. julia disse:

    Não poderia concordar mais com o Marcelo. Eu larguei a vida de agência e essa chacrinha toda pra trabalhar em um grande portal de Internet e ter carteira assinada, férias, regalias, horário fixo pra sair e tudo o mais. E sobra tempo pra ter um pouco mais de vida social.

    E realmente nós somos comodistas e não nos organizamos pra exigir coisa alguma porque logo logo vamos pra rua e outro masoquista nos substitui rapidinho. Com toda a criatividade que nos foi investida o minimo que podíamos fazer era uma campanha pra exigir direitos… ok, menos.

  6. Fabian disse:

    Pode ampliar essa exploração aos fornecedores do mercado publicitário, como, por exemplo, as produtoras de vídeo. Já trabalhei numa produtora que tinha 40 funcionários e apenas 8 tinham carteira assinada. Exploração pura e simples! Tiram o nosso couro nos fazendo trabalhar mais do que o permitido por lei e, quando querem nos demitir, ficamos de mãos abanando, sem nenhum direito respeitado. E o pior, se resolvermos buscar esses direitos na justiça, podemos trocar de profissão, porque o corporativismo patronal fechará todas as portas.

  7. Monica disse:

    Imagino que quem afirma que os publicitários “mereçam” tal situação, deve ter a vida muito bem resolvida. Nunca deve ter enfrentado uma situação a qual não pode mudar sozinho. Deve ser um revolucionário capaz até mesmo de mudar o fluxo de um rio. Uma coisa é certa, não é um leitor atento, pois para dizer tal absurdo é porque não se atentou a parte da notícia que diz “…e até o governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal(!), são cúmplices dessa exploração ilegal. (…) pois já foram feitas até denúncias para a Delegacia do Trabalho, que nada fez.” Injusto, com certeza, o amigo é. Vamos ver se agora passa também a ser atento.

  8. andernee disse:

    cara, deixa eu contar o meu caso: trampei num jornal por quase dois anos como estagiário, mas isso tudo é uma mentira, o lema das agências de estágio é “o primeiro passo para o emprego definitivo”, mas para as empresas é “pegamos um trouxa para não precisarmos pagar 13°, fgts, férias e todas as outras regalias, e então o devolvemos ao enfermo dos desempregados”.
    o Brasil precisa pensar em equipe, no coletivo, largar os interesses individuais e trabalhar para que todos possam ter as mesmas chances.

  9. Jarbas disse:

    Por essas e outras que eu larguei a profissão, fiz um concurso e hoje trabalho em banco público, com todos os direitos sendo respeitados.

  10. adélio disse:

    Eu trabalho de carteira assinada na DCS. E as regras são as mesmas.
    Não pagam as horas extras, nem banco de horas, te chaman no sábado, domingo, feriado. Te fazem perder o aniversário da mãe e ainda te deixam implícito que tu não pode ter compromissos depois das 19h e que tu tem que estar sempre disponível caso chamem no final de semana.
    Não querendo tirar a culpa dos empresários, mas a maioria dos profissionais de criação, no início de sua carreira, não se importam em trabalhar nessas condições. Na verdade não se importam com nada além de seu umbigo. O cliente, o colega, a mãe, a namorada, nada é mais valioso que a sua peça no salão da propaganda.
    E os diretores sabem disso, e isso lhes agrada. E por mim tudo bem. Essa relação Sadomazoquista é perfeita pra eles.
    O problema é que a diretoria acha que todo mundo é criação. Eu não quero prêmio no salão. Eu não quero ser aclamado. Eu só quero os meus direitos. Que aqui eles chaman de benefícios, como se horas extras fossem um brinde.
    Eu perdi minha fé nas grande empresas. Quando chega no estágio que está, a coisa perde o controle. Ninguem quer fazer o melhor pelo coletivo. O objetivo é manter o cargo.

  11. Meu umbigo no meio do world. disse:

    É, ter como o umbigo como centro do universo dá nisso. É barbada crucificar os donos de agência e blá-blá-blá. Mas, por outro lado, as agências são bem mais tolerantes do que outras profissões. A gente usa msn, fala palavrão, joga sinuca, anda descolado e de barba por fazer, cabelo espetado e só falta enfiar o celular no cú que ninguém reclama: “sou da criação, meu”. Chegam com a cabeça enfiada num saco de lixo de tanta droga na mente e todo mundo tolera pois “eles são da criação”. É muito fácil falar das grandes, não respondo por eles; falo das agências: esse mercado é uma merda, se perde clientes assim ó… Temos nossas peculiaridades. Ter o umbigo como centro do universo dá nisso. Mea culpa, nossa culpa, quem mandou não “se dar bem com as exatas”. Vamos trabalhar, esse papinho aqui ainda vai acabar demitindo alguém…

  12. Pedro disse:

    Pois é. Trabalho em uma agencia grande tb de POA com carteira assinada. Mesmo assim nõa tenho hora-extra.

    Vivo me perguntando se nao valeria a pena trabalhar um outro lugar mais ligth: ganhando menos mas tendo uma vida mais sossegada.

  13. Nao declarar disse:

    Acabo de enviar esse link como uma breve descrição do assunto para o site de denuncias do Ministério Publico Federal.
    Abracos a todos e espero que isso va mais alem

    http://producao.prsp.mpf.gov.br/denuncia/denuncia.php

  14. Maria Xavier disse:

    Nossa…eu sou estudante de psicologia e digitei no google DCS pq tinha interesse em fazer estágio curricular em psicologia do consumidor nessa agência, mas agora fiquei com medinho, vou procurar outras alternatias, ok como estagiária não teria direito a nada de qualquer forma, mas não quero trabalhar numa instituição que funciona neste formato.

  15. Ninguém importante disse:

    Pois é… se os impostos fossem baixos, não valeria a pena sonegar e todos pagariam impostos. Com isso não haveria concorrência tão desleal. Logo… não teria vantagem em fazer isso com os empregados. Mas é assim com tudo… logo…. trabalhem e pronto. Nada mais tem moral hoje.

  16. Eliahou Kogan disse:

    Trabalhei durante dois anos e dois meses, numa agência de publicidade e eventos, em São Paulo, sem carteira assinada. Fui demitido agora, no final de janeiro, e até hoje não recebi. O ex-patrão está se desvencilhando dos meus telefonemas e não responde aos meus e-mails. O que fazer? A quem devo recorrer para ter os meus direitos?

  17. Marcelo disse:

    Infelizmente isso é bem comum em todo o país, Eliahou. Você deve recorrer às delegacias do trabalho. Se você mora em São Paulo, os endereços são:

    Superintendência do Trabalho

    Rua Martins Fontes nº 109, Centro.
    São Paulo-SP CEP 01050-000

    Telefone: (11) 3150-8106
    Fax: (11) 3255-6373

    Cidade de São Paulo
    Gerência Regional do Trabalho e Emprego na ZONA NORTE

    Gerente: Carlos Alberto Angelini
    Substituto: Francisco A. T. Ichihara
    Endereço: Av. General Ataliba Leonel, 2764 – Parada Inglesa – CEP 02242-000
    Telefone: (11) 6973-2865 / 6979-6296
    Fax: (11) 6973-8927
    Gerência Regional do Trabalho e Emprego na ZONA SUL

    Gerente: José Luiz Luccas Barbosa
    Substituto: Carlos Kuba
    Endereço:Rua Carneiro da Cunha, 354 – Saúde – São Paulo/SP – CEP 04144-000
    Telefones: (11) 5589-1295/ 5589-1296 – Seguro Desemprego (11) 5589-1326
    Fax : (11) 5589-1316
    Gerência Regional do Trabalho e Emprego na ZONA LESTE

    Gerente: Hiroshi Kimura
    Substituto: Cláudio da Silva
    Endereço: Rua Tijuco Preto, 860, Tatuapé – CEP 03316-000
    Telefonefax: (11) 6193-4998
    Gerência Regional do Trabalho e Emprego na ZONA OESTE

    Gerente: José Kalicki
    Substituto: Vladir Arienzo
    Endereço: Rua Afonso Sardinha, 201 – Lapa – CEP 05076-000
    Telefones: (11) 3831-4228 / 3835-8948 / 3836-9209 / 3832-6699 / 6764
    Fax: (11) 3835-9504

    Para outras localidades, acesse o link:
    http://www.mte.gov.br/postos/default.asp

  18. Maya disse:

    Estava pesquisando sobre Exploração em Agências de Publicidade e é incrível como não existe quase nenhum site tratando sobre o assunto. Trabalhei 10 anos em agências da Grande Porto Alegre, e nunca tive minha carteira assinada. Ela até existe, mas continua virgem. Nunca recebi um centavo por hora extra trabalhada e, podem ter certeza, foram várias horas, vários finais de semana e muitas madrugadas. Nunca tive mais do que uma semana de férias, pois era me dito que “eu faria muita falta”. Está na hora dos funcionários perderem o medo de “se queimar” nesse mercado explorador, e colocar uma ação trabalhista em quem exige muito mais do que anda pagando. Vamos exigir nossos direitos, procurar um bom advogado, fazer denúncia no Ministério do Trabalho (a denúncia inclusive pode ser anônima). Quanto mais gente fizer isso, mais perto da regularização da profissão vamos chegar.
    Parabéns pelo blog.

  19. Tanbem acho que as agência são um nicho de sangue sugas, moro em novo hamburgo e acho horrivel a forma que estas empresas atuam, sem contrato de experiência sem ética para free- lancers, daí me parece que os frelas daqui acham legal se gabar por ter feito um catalago e sido escravo por tão pouco….

    etc e tal
    Abraços

  20. Romero César-Diretor disse:

    A grande questão é a seguinte: Os publicitários(as)são uma categoria muito elitista e orgulhosa, aqui
    em Recife já fizemos varias palestras em cursos de Publicidades, divulgando a existencia do Sindicato
    dos Publ.de PE., inclusive as conquistas ao longo dos 28 anos da entidade (CCT52 cláusulas), destribuimos O RECLAME(jornal), material para
    filiação, etc. mas infelizmente os profissionais nunca visitaram o Sindicato para se associarem e lutarem pelos seus direitos. Só nos procuram quando levam o Pé na Bunda.
    Salve,Salve, Companheiros(as)

  21. Vivian disse:

    Li todos os comentários.
    O caso não é que publicitários são elitistas, que só pensam no seu umbigo, que os impostos são altos.
    O caso é que as empresas tem lucros mensais de MILHÕES e exercem suas atividades ilegamente.
    A empresa é responsável por dar os direitos aos seus funcionários. E ponto. A culpa não é do funcionário.
    Se isso não ocorre, são necessárias as medidas cabíveis.
    Porém, o assédio moral que ocorre nas grandes agências (já trabalhei em duas das três citadas) é incrível e frequente, a ponto do funcionário começar a questionar a validade dos próprios direitos (Mereço horas extras se meus pares não recebem/ Trabalhar uma hora a mais não vai me matar mesmo/ Por que assinar minha carteira se o comum é não assinar/ Posso trabalhar nos fins de semana pois tenho mais chances de ganhar um prêmio)
    Falta união da classe? Falta. Por quê? Por que sobra assédio.

  22. Vladi disse:

    Envergonhado venho dizer que, enquanto outras classes se organizam, publicitários se hostilizam por conta de picuinhas. Enquanto ficam, anonimamente, trocando unhadas e cuticuladas com seus desafetos profissionais ou, abertamente, puxando saco, para ver se olham o seu portfolio on line, outros lhes tiram o couro e, de salão em salão, lhes alcançam um copo da sua champagne. Poucos são os que saem de empacotador para gerente nesta grande rede de supermercados. Principalmente agindo assim, feito criança que não sabe que publicitário, médico, faxineira e pedreiro, somos todos mão de obra. E que fofoca classista na web não é coisa de profissional. Faça com dignidade o que for. Respeite e se de o respeito.

  23. Vibrich disse:

    Existe um Sindicato dos funcionarios de Agência de Publicidade?

  24. marcopolo disse:

    Putz, tenho muita experiencia em video, mas agora fiquei com medo de mandar meus trabalhos, para qualquer agencia.


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