Crescimento econômico

A nova mania nacional é falar de crescimento econômico. Desde as eleições do ano passado, nas quais os candidatos a presidente falavam praticamente só disso, até o momento, onde a bola da vez é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de Lula. Comentaristas e jornalistas adoram comparar números do crescimento econômico de outros países com o do Brasil e assim criticar o governo. Sem dúvida o governo tem muito a ser criticado, mas a quem interessa o crescimento econômico?

A gente ouve dizer por aí que a economia precisa crescer para termos mais empregos, mais dinheiro e que só assim o Brasil vai se ajeitar. Mas o Brasil já é a oitava maior economia do mundo (de um total de 155 países) e ao mesmo tempo consegue ser o oitavo país com maior desigualdade social do mundo. Ou seja, o Brasil já é um país com recursos suficientes para alimentar e educar a todos, o problema é que os 10% mais ricos embolsam 46,9% de toda a renda nacional. E mesmo na maior economia do mundo, os E.U.A., os ricos ganham 1.570% mais do que os pobres.

E quem mais ganha com o crescimento econômico é  uma minoria que lucra diretamente com as exportações, que causa a exploração e desgaste (pra não dizer destruição) de recursos naturais que são por direito bens públicos dos quais depende a sobrevivência de toda população atual e das gerações futuras.

Por outro lado, ninguém discorda que desigualdade social, educação e violência estão fortemente ligados. Não são esses os principais problemas do país? Então por que o governo e a imprensa insistem tanto no crescimento econômico?  O crescimento econômico realmente é bom para o trabalhador? Crescimento nem sempre quer dizer mais e melhores empregos.

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2 Comentários on “Crescimento econômico”

  1. rafaelmartinezsp disse:

    Sinto discordar, crescimento significa sim mais empregos. E como distribuir igualdade sem ter aumento de renda? Tratamos de recursos escassos, dinheiro não cai do céu. A verdade é que o Brasil não cresce e não é mais igualitário pelo mesmo motivo: ineficiência estatal. Gasta mal, investe pouco, prefere medidas sociais paternalistas e eleitoreiras ao invés de distribuir oportunidades.
    Fazer o país crescer não significa ter que abandonar questões sociais ou vice e versa. Quem lucra com uma economia aquecida e forte não são apenas meia dúzia de exportadores (exportação é só um dos vários fatores que contam no PIB) mas a nação como um todo.

  2. Marcelo disse:

    Como distribuir igualdade sem ter aumento de renda? Desonerando os mais pobres de impostos e fazendo os mais ricos pagarem mais. Parar com subsídios a latifundiários e investir na agricultura familiar. Em vez de dar incentivos fiscais às grandes indústrias multinacionais, dar mais recursos a pequenas indústrias. Confiscando propriedades improdutivas rurais e urbanas e redistribuindo-as para trabalhadores que ganham pouco. Investindo em educação e dando oportunidade aos menos favorecidos.

    Os recursos não são escassos, pelo contrário, mas são desperdiçados e mal geridos, como tu mesmo mencionaste pela ineficiência estatal.


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