Etanol: uma solução ou um problema?

A mídia vem nos bombardeando com informações de que só temos a ganhar com a produção de etanol: vamos vender cana para americano e alavancar nossa economia, além de dizer que os combustíveis vegetais são uma solução para o aquecimento global. Mas poucos jornais deram ênfase nos problemas que a monocultura de cana pode trazer.

Os fatos são, o mundo produz em torno de 40 bilhões de litros de etanol por ano e para se substituir 10% da gasolina do mundo, vai ser preciso aumentar a produção para uns 150 bilhões de litros (alguns dizem que precisará de 200 bilhões). A intenção do Estados Unidos é trocar 20% da gasolina por combustível verde até 2017. Segundo Luiz Cortez, pesquisador da UNICAMP, a produção atual do Brasil é de 16 bilhões de litros por ano e ocupa 5,5 milhões de hectares e se quiséssemos aumentar essa marca para 110 bilhões (que é a tendência), as lavouras de cana-de-açúcar ocupariam 75 milhões de hectares. A área total utilizada por toda agricultura brasileira hoje é de 55 milhões de hectares…

O México já começa a sofrer as conseqüências dessa demanda por biocombustíveis. A exportação do milho para os E.U.A., onde está sendo utilizado para produzir etanol, causou grandes aumentos no preço do grão, que é a base da alimentação mexicana.

O cultivo de cana-de-açúcar também é um dos que mais consome água, são necessárias 600 toneladas de água para produzir uma tonelada de cana. E aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso à água potável.

Além disso, a indústria da cana-de-açúcar é famosa pelo seu desrespeito ao trabalhador, que sofre com longas jornadas, aspira gases cancerígenos e ganha sobre o quanto produzir e não por tempo de trabalho.

Será que os problemas do etanol são realmente um mito, como o Presidente Lula diz contrariando até mesmo seus aliados norte americanos? Devemos nos preocupar mais em dar prioridade ao combustível para os carros dos 800 milhões de proprietários ou garantir comida para todo o resto?

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4 Comentários on “Etanol: uma solução ou um problema?”

  1. Urubu disse:

    A questão é que se precisa estabelecer uma forma de controle racional, e isso nós não sabemos fazer, porque sofremos da síndrome do pensamento bipolar (ou nem queremos ouvir falar de tal coisa, ou queremos liberar geral). O cultivo de cana para produzir etanol é uma possível alternativa para aliviar diversos problemas e inclusive, quem sabe, para diminuir a pobreza das pessoas, mas isso apenas se for pensado como parte de um conjunto, não como uma fórmula mágica absoluta. E se depender dos EUA, realmente, podemos derrubar toda a Amazônia pra vender biodiesel a eles e diminuir sua dependência do petróleo muçulmano e venezuelano. É óbvio que o meio ambiente e o bem-estar das populações pobres latino-americanas têm menos importância do que o lixador de unhas da Condolências Rice.

  2. benê disse:

    O comercio do etanol até pouco tempo era bem visto por todo o mundo,os especialistas viam com bons olhos o comercio do biocombustivel já que esse ajudaria a diminuir os empaquitos causados pelos combustiveis fosseis e agora muito me admira essa crítica que o transforma em vilão e ainda colocando o Brasil no centro do turbilhão.
    Os criticos mundiais só estão tentando achar um culpado para apontar a alta no preço dos alimentos e viram o etanol como um inimigo pois a corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco

  3. wal disse:

    os críticos só estão querendo achar um meio de colocar a culpa da fome em alguem, e viram isso no etanol. Mas eles bem sabem que a falta de alimento nao é culpa do etanol,mas sim da má distribuição. Porém é certo que se tomem medidas necessárias para evitar o pior.


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